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O Selo Casa Azul de Sustentabilidade Ambiental da Caixa Econômica Federal - Por Maria Reynaldo

 

 

O Selo Casa Azul de Sustentabilidade Ambiental da Caixa Econômica Federal

Maria Reynaldo*

 

A Caixa Econômica Federal é reconhecida como o Banco da Habitação, por possibilitar a realização do sonho da maioria dos brasileiros: “a casa própria”. Neste sentido, desempenha um importante papel na definição de um “Desenho da Casa Brasileira”, que também é traduzido sobre o território nacional através da parceria entre a instituição e os mais diversos agentes públicos, econômicos e sociais, com um impacto direto no planejamento urbano e econômico de seu tecido social.

Destaca-se, nesse contexto, a prioridade dada pela instituição à habitação de interesse social, contribuindo para a redução do déficit habitacional e dos impactos ambientais negativos causados pelas ocupações irregulares e por habitações precárias, localizadas em áreas de risco e de preservação ambiental.

O compromisso da Caixa Econômica Federal com o meio ambiente traduz-se em medidas concretas para financiar o desenvolvimento de cidades mais sustentáveis. Ao se investir na construção de sistemas de água e esgoto, aterros sanitários, urbanização de favelas e habitações regulares, se busca melhorar a condição de vida das pessoas. Principalmente, por tais medidas tornarem mais adequada e benéfica a relação do indivíduo com o meio ambiente em que vive.

Pois, é praticamente um consenso que a sobrevivência do planeta requer profundas transformações na sociedade industrial, alterando padrões tecnológicos de produção, hábitos de consumo e até raízes culturais. É também um consenso que a transformação da cadeia produtiva da construção é crucial neste processo. A sustentabilidade já é o principal motor da inovação tecnológica em todos os setores, inclusive o da construção. Aqueles, empresas e profissionais, que se posicionarem na vanguarda colherão os principais benefícios.

Ao se criar o Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal, pretende-se incentivar o uso racional de recursos naturais na construção de empreendimentos habitacionais, reduzir o custo de manutenção dos edifícios e as despesas mensais de seus usuários, bem como promover a conscientização de empreendedores e moradores sobre as vantagens das construções sustentáveis.

A iniciativa se soma a outras importantes medidas da Caixa Econômica Federal, indutoras da produção habitacional com sustentabilidade ambiental, tais como: o uso de madeira com origem legal na construção; o incentivo financeiro para sistemas de aquecimento solar de água; a necessária medição individualizada de água e gás nos prédios.

Com o Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal, busca-se reconhecer os projetos de empreendimentos que demonstrem suas contribuições para a redução de impactos ambientais, avaliados a partir de critérios vinculados aos seguintes temas: qualidade urbana, projeto e conforto, eficiência energética, conservação de recursos materiais, gestão da água e práticas sociais.

Ao se projetar uma habitação, é necessário aproveitar ao máximo as condições bioclimáticas e geográficas locais, estimular o uso de construções de baixo impacto ambiental, garantir a existência de áreas permeáveis e arborizadas, adotar técnicas e sistemas que propiciem o uso eficiente de água e energia, bem como realizar a adequada gestão de resíduos. A habitação também deve ser duradoura e adaptar-se às necessidades atuais e futuras dos usuários, criando um ambiente interior saudável e proporcionando saúde e bem-estar aos moradores.

O Selo Casa Azul, embora tenha sido desenvolvido com o foco no incentivo e reconhecimento de empreendimentos habitacionais financiados pela Caixa Econômica Federal, pretende também ser útil a todos os estudantes, profissionais e empresas da área de construção que busquem contribuir para o desenvolvimento sustentável, melhorando de forma progressiva e contínua suas práticas de projeto e construção, e desenvolvendo novas soluções.

Neste caso, é válido destacar que o Selo Casa Azul da Caixa Econômica Federal é o primeiro sistema de classificação da sustentabilidade de projetos ofertado no Brasil, desenvolvido para a realidade da construção habitacional brasileira. Este não é um aspecto menor, pois soluções adequadas à realidade local são as que otimizam o uso de recursos naturais e os benefícios sociais. Do ponto de vista do desenvolvimento sustentável, somente os problemas são globalizados, ou seja: problemas globais, soluções locais.

A metodologia do Selo foi desenvolvida por uma equipe técnica da Caixa Econômica Federal com vasta experiência em projetos habitacionais e em gestão para a sustentabilidade. Um grupo multidisciplinar de professores da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade Estadual de Campinas – que integrava uma rede de pesquisa financiada pelo Finep/Habitare e pela Caixa Econômica Federal – atuou como consultor, organizando, inclusive, um workshop que contou também com a participação de entidades representativas do mercado.

O mesmo grupo foi encarregado da elaboração do guia “Selo Casa Azul – Boas Práticas para Habitação Mais Sustentável, sob a supervisão da equipe da Caixa Econômica Federal. Este é, portanto, o resultado de um trabalho coletivo de especialistas de várias instituições, com mais de um ano de duração.

O guia está organizado em duas partes. A primeira apresenta alguns dos principais impactos socioambientais da cadeia produtiva da construção, e, em consequência, as necessidades de transformação do setor com vistas à sustentabilidade. A seguir, são disponibilizados os critérios e os procedimentos de avaliação do Selo Casa Azul, além de introduzido um conceito fundamental na promoção da sustentabilidade: o processo de definição da agenda do empreendimento. A segunda parte do guia está organizada em capítulos diretamente relacionados aos principais desafios da agenda de construção sustentável, que, não por coincidência, estruturam o Selo Casa Azul. Em todos os capítulos, são apresentados e discutidos os fundamentos de cada categoria e os critérios de análise. Para facilitar o aprofundamento dos leitores, uma bibliografia complementar é fornecida. Esta bibliografia, que revela a riqueza da produção acadêmica brasileira relacionada ao tema, permitirá ao leitor buscar o apoio técnico para suas atividades. Acredita-se que a sociedade brasileira tem muito a ganhar com uma maior aproximação entre a academia e o meio profissional.

Em cada projeto, é possível fazer algo pelo desenvolvimento sustentável, dentro do orçamento existente. Espera-se que o guia sirva de ferramenta de trabalho e de inspiração aos seus leitores no desafio pela busca de um equilíbrio entre proteção ambiental, justiça social e viabilidade econômica. E, neste sentido, possa contribuir com a melhoria qualitativa do “Desenho da Casa Brasileira”, inclusive, através do incentivo de sua aplicação, também para habitação de interesse social, como é o caso do programa “Minha Casa Minha Vida”, deiniciativa do Governo Federal.

Referências bibliográficas:

Texto adaptado do Prefácio e Introdução do Guia Casa Azul CAIXA – Boas Práticas para Habitação Mais Sustentável / coordenadores Vanderley Moacyr John, Racine Tadeu Araújo Prado. – São Paulo: Páginas & Letras – Editora e Gráfica, 2010. Realização: Caixa Econômica Federal.

 

* Arquiteta e Urbanista, graduada pela Universidade Federal de Pernambuco. Possui título de Mestre em Desenvolvimento Urbano pela mesma universidade, tendo realizado o mestrado no MDU – Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Urbano. Foi bolsista de arquitetura do PEP – Programa de Especialização em Patrimônio da Fundarpe – Fundação do Patrimônio Artístico e Histórico de Pernambuco, Analista em Desenvolvimento Urbano da DIRCON – Diretoria de Controle Urbano da Prefeitura da Cidade do Recife e Professora do curso de graduação de Arquitetura e Urbanismo da UFPE - Universidade Federal de Pernambuco. Atualmente, é arquiteta e urbanista da Caixa Econômica Federal.

 







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